Wednesday, July 14, 2010

Créditos de Carbono: Porque e para que?

Créditos de Carbono: Porque e para que?

Créditos de Carbono também conhecidos como RCEs (Reduções Certificadas de Emissões) os quais podem muito bem ser chamados de Certificados que autorizam a poluir! 
  • O diretor executivo da European Climate Exchange, Patrick Birley, é um expert no mercado de carbono. Ele afirma que aproximadamente 95% dos créditos de carbono comercializados no mundo são efetuados através de sua bolsa (Bolsa Européia do Clima).
  • Em seu discurso em um evento organizado pelo Instituto de Assuntos Europeus e Internacionais (Irlanda, Nov.2009) o mercado de carbono (que você pode assistir aqui), Patrick Birley afirma sobre os créditos de carbono:
Não reduz nem uma tonelada de carbono liberada na atmosfera. Não tem nada a fazer com isso. Trata-se do limite máximo. O limite máximo é o mecanismo que produz um volume menor no longo prazo do carbono que vai para a atmosfera.”
Mas para que serve então o mercado de carbono?
A comercialização de carbono implica não só em dinheiro, ela representa uma empresa lucrativa para seus investidores.
Quem é o mercado?
  • Segundo Birley, são quatro grupos: compensadores de compromisso, investidores, árbitros e especuladores.
  • Justamente os mesmos que desencadearam a crise do não – pagamento das hipotecas (final de 2008). Grupos que fazem dinheiro com o dinheiro e o risco de outros.
Mas afinal qual é o limite máximo?
  • Não há limite máximo para a especulação na permissão para poluir. Uma empresa sediada em países desenvolvidos pode poluir quanto queira, desde que compre os créditos compensatórios. 
Sabe o que significa?


Que NÃO há redução real das emissões de carbono, porque o que uma empresa emite aqui é compensado acolá.


Sabe quanto custa um crédito de carbono?


um crédito = 1 tonelada de CO2 = 10 euros





Wednesday, June 30, 2010

Vazamento de Petróleo: Golfo do México x Nigéria

Golfo do México

O mundo todo está preocupado com o vazamento de petróleo no Golfo do México, o qual já atingiu a costa dos Estados Unidos. A última estimativa publicada pelo governo americano é que, entre 35 e 60 mil barris de petróleo por dia estão sendo despejados no mar.
Um acidente sem precedentes na história dos EUA, causado pela negligência e corte nos custos de operação da plataforma (segundo congressistas americanos).
Várias tentativas de conter o vazamento da BP foram inúteis, e afirma-se que outras petroleiras também não estão preparadas para conter estes tipos de vazamentos.


Oceanógrafos e biólogos detectaram vários fenômenos decorrentes do gigantesco vazamento de petróleo: golfinhos e tubarões começaram a aparecer perto das praias da Flórida, em águas rasas onde normalmente não se arriscam; milhares de arraias, caranguejos e peixes pequenos estão se aglomerando em um pier do Alabama, enquanto pássaros cobertos de petróleo estão entrando em pântanos e desaparecendo.


Golfo         PatonoGolfo

Cerca de 5,5 milhões a 9,5 milhões de litros de petróleo por dia vazam do poço, a 80 quilômetros da costa da Louisiana, nas águas do golfo. Pressionada pelo governo, a BP concordou em criar um fundo de US$ 20 bilhões para indenizar as pessoas e empresas afetadas pelo vazamento.

Nigéria: Petróleo vaza há 50 anos no Delta do Rio Níger


Grandes vazamentos de petróleo não são novidades na Nigéria. O delta do Níger, onde a riqueza em baixo da terra é desproporcional à pobreza dos que nela vivem, é submetido a um vazamento equivalente ao do Navio Exxon Valdez no Alasca por ano (41 milhões de litros, em 1989).
O petróleo vaza quase todas as semanas. Nenhum outro lugar da Terra tem sido tão poluído pelo petróleo.
O vazamento de um duto da Royal Dutch Shell foi fechado há poucas semanas, depois de vazar por 2 meses!! Não há mais um ser vivo nos mangues, nem camarões ou caranguejos – várias pessoas dependem da sua coleta para sobreviver.
Os vazamentos são causados por dutos enferrujados, nunca fiscalizados ou em manutenção. As empresas alegam sabotagem, mas a fiscalização e a leis são ineficientes.
"Não temos a imprensa internacional para cobrir o que acontece aqui, então ninguém se preocupa"


  Nigeria Niger
                    
Porque o desastre do golfo paralisa um país e um presidente?


Ninguém está preocupado com o vazamento na Nigéria, onde nada menos que 2 bilhões de litros vazaram no Delta do Níger nos últimos 50 anos ou cerca de 41 milhões ao ano, concluíram especialistas.
A Shell, principal empresa exploradora, opera em milhares de quilômetros quadrados, segundo a Anistia Internacional. Colunas envelhecidas de válvulas nos poços de petróleo se destacam entre palmeiras. Às vezes o petróleo jorra delas, mesmo que os poços estejam desativados.

Leia mais em  Jornal da Ciência e link das fotos da Nigéria e link para as fotos Golfo do México

Tuesday, June 29, 2010

Água: guerra pelo líquido precioso começou?

Água: guerra pelo líquido precioso começou?

Rio Nilo : Nove países africanos brigam pelas sua águas
O Rio Nilo banha, de um lado, os países desérticos Egito e Sudão, os quais dependem totalmente do rio para sobreviver e do outro lado, Uganda, Etiópia, Ruanda, Tanzânia e Quênia ...... que abastecem a corrente do rio.....
Milhares, senão milhões de pessoas dependem de suas águas, bebem, tomam banho, pescam, transportam suas mercadorias e plantam.
Há uma década os nove países banhados pelo Nilo negociam o que fazer para dividir os recursos e proteger o rio em tempos de mudanças climáticas, ameaças ambientais e aumento de população.
Segundo Henriette Ndombe, diretora executiva do Nile Basin Iniciative (instituição intergovernamental estabelecida em 1999 para supervisionar o processo de negociação e cooperação) é uma negociação séria e há pontos críticos como a secular questão:
 A quem pertence o Nilo?
O debate está sob âmbito da legislação internacional e o Egito a defende até com ações militares.
Egito e Sudão argumentam que a Lei está com eles desde a época que a Inglaterra controlava parte da região (Tratados de 1929 e 1959), estes tratados garantem aos dois países “utilização plena das águas do Nilo” e o poder de vetar qualquer projeto de represamento no Leste da África. A prioridade para Uganda é a geração de energia e a construção de mais represas. Construindo represas rio acima, o Egito tem menor vazão.
A Etiópia, fonte do Nilo Azul que se junta ao Nilo Branco em Khartoum e garante 86% da vazão, não tem direito a nada.

Em abril, num acordo de “uso equitativo e racional”, o qual Egito e Sudão se recusaram a assinar – só assinam se forem protegidos seus direitos históricos - os outros países perderam a paciência, alguns consideraram isso como um insulto – cobrar direitos sem obrigações.
Os diplomatas do Quênia, da Etiópia e de Uganda – países onde chove muito – conhecem a dependência do Egito das águas do Nilo, mas não se conformam em não poder utilizar um recurso tão valioso.
As mudanças climáticas e o aumento populacional – Egito tem hoje 79 milhões de hab e deve chegar aos 122 milhões até 2050 e nos países rio acima o crescimento ainda é maior, os 83 milhões de etíopes hoje serão 150 milhões daqui a 40 anos!
“Pode ser o começo de um conflito.”
Leia ais em ingles no The Guardian ou taduzida no EcoDebate.